quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Famílias agricultoras fortalecem a produção com novas tecnologias

Foto: Divulgação
Por Carlos Henrique Silva, da Assessoria de Comunicação da Diaconia

Depois de quase um ano de espera das famílias agricultoras e comunidades, inicia-se nesta terça (07) a execução da etapa final do projeto Pernambuco Mais Produtivo, apoiado pela Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA). O projeto, que financiou através da Diaconia a construção de 3.975 cisternas em 19 municípios, agora irá implementar 50 tanques de pedra e 20 barreiros lonados, além de 370 abrigos para armazenamento da produção.

A liberação do recurso pelo Governo do Estado se deu após reivindicação das organizações sociais executoras junto aos poderes Executivo e Legislativo, com apoio da Articulação no Semiárido (ASA/PE). As tecnologias, de armazenamento de água e incremento à produção de alimentos, serão construídas em municípios dos sertões do Pajeú e Araripe, como Serra Talhada, Exu e Verdejante. A maior parte das famílias e comunidades já está selecionada e cadastrada.

De acordo com o coordenador do projeto, Salomão Jalfim, o município mais adiantado é Verdejante, que já concluiu o recebimento do material: “Fizemos uma reunião com 15 pedreiros da região, e assim estamos iniciando a construção de 55 abrigos de armazenagem. Os demais municípios estão no processo de entrega de material”, afirma Jalfim.

Os abrigos de armazenagem (ou armazenamento) são uma das novidades trazidas pelo projeto. São pequenas casas de alvenaria, medindo 5m x 2,5m, que servirão para estocagem da produção. A demanda surgiu das próprias famílias, que utilizam os calçadões das cisternas como terreiros para secagem de grãos no período seco, mas não tinham onde armazenar durante as chuvas. 

Conheça as demais tecnologias:

Tanque de Pedra ou caldeirão: tecnologia de uso comunitário construída em áreas rochosas (lajedos). São erguidas paredes na parte mais baixa ou ao redor da área da pedra, que servem como barreira para captação e acúmulo da água de chuva. O volume armazenado serve para o consumo dos animais, irrigação das plantações e afazeres domésticos que não são ligados à alimentação (lavagem de roupas, louças e banheiro, por exemplo).

Barreiro Lonado (foto acima): tanque longo, estreito e fundo escavado no solo, que armazena água por mais tempo, diminuindo a evaporação durante a estiagem. Diferente do barreiro comum, o tipo lonado tem o seu fundo e superfície cobertos por uma lona plástica, com capacidade de armazenar mais de 150 mil litros.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

ASA Pernambuco realiza 1ª Plenária de 2017 em Triunfo


                                                        Por Jéssica Freitas - Comunicadora da ADESSU Baixa Verde



Nos dias 01 e 02 de fevereiro, representações das 18 organizações sociais que compõem a ASA Pernambuco se reuniram na Sede da ADESSU Baixa Verde em Triunfo, Sertão do Pajeú, para a Primeira Plenária de 2017. As Plenárias acontecem a cada dois meses.

Durante a manhã do primeiro dia, o assunto em destaque foi o Projeto de Reforma da Previdência, apresentado pelo Governo Federal e que evidência o retrocesso na conquista de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Se aprovado, o projeto determina que a idade mínima para se aposentar será de 65 anos, com pelo menos 25 anos de contribuição à Previdência. Na prática, para receber 100% do valor, o trabalhador precisará contribuir por 49 anos, mesmo que tenha atingido os 65 de idade.

Antonio Filho esclarece dúvidas sobre a proposta de Reforma
da Previdência
O assessor jurídico da FETAPE, Antonio Filho, apresentou informações esclarecedoras para membros das organizações, para que munidos desses conhecimentos, eles possam levar a discussão sobre o projeto de lei para os agricultores e agricultoras nos diversos espaços de formação. VEJA VÍDEO

Ainda no primeiro dia, a Plenária iniciou um debate sobre a representação da ASA em espaços estratégicos de mobilização e reivindicação de direitos da sociedade civil. Ocupar cadeiras e ter voz em espaços como os conselhos, é essencial para estabelecer um diálogo com o poder público.

Partindo dessa linha, as organizações fizeram um olhar sobre cada um dos territórios, com o objetivo de levantar aspectos preocupantes como a redução do abastecimento por meio de Carros Pipa, a escassez de sementes crioulas e algumas plantas da caatinga e a seca que já se prolonga por 6 anos da região. Esse levantamento foi feito para gerar uma sistematização que seria apresentada em Recife, durante reunião do Comitê da Estiagem, no dia 02/02.

O segundo dia foi dedicado ao planejamento das ações da ASA Pernambuco para o ano de 2017. Considerando ações efetivas para dar visibilidade as temáticas da rede. Novamente a campanha contra a Reforma da Previdência foi eleita como umas das prioridades nas ações além da intensificação das estratégias de comunicação.

Atualmente, compõem a ASA-PE as organizações: ADESSU Baixa Verde, Agroflor, Caatinga, Cáritas Regional NE 2, Casa da Mulher do Nordeste, CECOR, Centro Sabiá, Chapada, Coopagel, Diaconia, Diocese de Caruaru, Diocese de Pesqueira, FETAPE, MMTR – NE, Pólo Sindical Submédio São Francisco, Serta, NEPS.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Rede Araripe realiza Encontro de Saberes da Caatinga


                                                                  Por Kátia Rejane - Comunicadora do Caatinga


Adeptos de práticas e culturas milenares que ainda persistem do interior do Nordeste vão se reunir na Chapada do Araripe para trocar conhecimentos, no período de 20 a 22 de janeiro de 2017. No Encontro Saberes da Caatinga, cerca de 150 parteiras, rezadores e raizeiros de Pernambuco, Ceará e Piauí pretendem fortalecer essas práticas de nascimento e cura, ligadas à natureza. O evento será realizado na Chácara Paraíso da Serra, no município de Exu, no Sertão do Araripe.
“Queremos incentivar o conhecimento da sabedoria ancestral de cura”, explica Antonio Alencar Sampaio, um dos idealizadores e organizadores do encontro, realizado pela Rede de Agricultores Experimentadores do Araripe, com apoio de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).
Embora o encontro não seja aberto ao público em geral, há cem vagas para o curso de aprendiz de raizeiro para quem deseja  aprender a manejar e saber mais sobre o uso terapêutico das plantas. Custa R$ 20 e a inscrição pode ser feita pelo endereço saberesdacaatinga@gmail.com
Um dos participantes do  evento será o  médico fitoterapeuta Celerino Carriconde

Mais informações:
Antonio Alencar Sampaio (87) 99910.5126
Ana Vartan (87) 99635.2594
Islândia Souza (81) 98568.7747

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Feira de Troca de Sementes Crioulas promove o debate sobre a conservação

 Por Lidiane Santos / Comunicadora da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2



A Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco (Rede SEMEAM) vai realizar no dia 24 de novembro de 2016, das 8h às 15h, no Parque Euclides Dourado, em Garanhuns (PE), a 3ª Feira de Troca de Sementes Crioulas. Neste ano, o evento terá como tema “Sementes Crioulas: Patrimônio da Agricultura Familiar” e reunirá bancos comunitários de sementes da região, além de organizações da sociedade civil, órgãos públicos e visitantes vindos de todas as regiões do estado. A entrada é gratuita.

Além do foco principal, que é a exposição e trocas de sementes, a programação do evento conta com palestras, oficinas e atrações culturais. No período da manhã, será lançado o manual “Metodologia para Formação de Bancos Comunitários de Sementes”, que faz parte da Coleção de Extensão Rural Nº 04, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Será discutido, ainda, a criação de um Programa Piloto de Distribuição de Sementes Crioulas e Formação de Bancos Comunitários de Sementes no Agreste Meridional de Pernambuco. À tarde, será realizada uma oficina intitulada “Produção de Mudas de Árvores Nativas através de Sementes”, que será ministrada pelo técnico em Agroecologia Everaldo Rodrigues, do Projeto Mata Viva.

REDE SEMEAM – Criada no ano de 2015, a Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco é fruto da articulação entre organizações da sociedade civil, órgãos públicos e agricultores/as familiares que participaram do processo de organização da 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas. Com o objetivo de ser um espaço permanente de discussão em busca do resgate e da preservação das mesmas, a Rede vem se fortalecendo através da realização de atividades, como seminário, resgate e plantio de sementes, além da participação em outros eventos sobre a temática. A Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2 é uma das organizações que compõe a REDE SEMEAM.

De acordo com o membro da Rede, Pedro Balensifer, entre os desafios encontrados pela articulação está o da busca pela conscientização dos próprios agricultores em torno da preservação das sementes, para que eles não sejam prejudicados com a perda das variedades locais. “Sem os bancos, a probabilidade de perda e desaparecimento das sementes é muito maior, mas isso passa por um processo de sensibilização em nível comunitário para que as famílias envolvidas entendam a importância da organização e possam guardar as próprias sementes”, explicou.

SEMENTES DO SEMIÁRIDO – Entre 2015 e 2016, a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2 foi parceira do Centro Sabiá na execução do Programa Sementes do Semiárido, da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA). Além do resgate de variedades que estavam praticamente extintas, o projeto também incentivou a discussão em torno da conservação das sementes, a partir da organização comunitária e da gestão compartilhada. No Agreste Meridional de Pernambuco, cinco municípios foram contemplados com a construção e reforma de banco comunitários de sementes, são eles: Angelim, Calçado, Canhotinho, Jupi e São João.

Para Arley Gomes, que foi o técnico responsável por acompanhar o projeto nesta região, os resultados do Programa já podem ser vistos, embora a conclusão tenha acontecido recentemente. “No que se refere aos desafios, podemos elencar o resgate de algumas sementes que estão em processo avançado de “desaparecimento”, entretanto é possível observar que os principais avanços são os grupos de agricultores/as conscientes e organizados em prol da preservação das sementes. As famílias estão em processo de autonomia e soberania e, sobretudo, que estes bancos funcionem como verdadeiras arcas de biodiversidade dos roçados do Semiárido brasileiro”, concluiu.

SERVIÇO:
3ª Feira de Troca de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco
Data: 24 de novembro de 2016
Horário: das 8h às 15h
Local: Parque Euclides Dourado, em Garanhuns (PE)
A entrada é gratuita.
Contatos: rede.semeam@gmail.com

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A experiência familiar no manejo e conservação da Agrobiodiversidade

Por Carlos Henrique Silva* e Clóvis Calado**
* Carlos Henrique Silva é comunicador da Diaconia
* Clóvis Calado é comunicador da Fetape


Dentre os momentos de intercâmbio de experiências no Encontro Estadual da ASA Pernambuco, realizados na última quarta (05), um dos grupos participantes visitou a propriedade de Vilma e Tadeu Lino, família agricultora do Sítio Apolinário, município de Triunfo. O manejo e a conservação da Agrobiodiversidade foi o tema desta experiência, que comprovou a capacidade das sertanejas e sertanejos para a convivência e resistência, diante dos desafios do Semiárido.

Após uma breve conversa de apresentação, o grupo, formado por agricultoras/es, representantes de movimentos sindicais e técnicos/as das instituições, quis logo conhecer o sítio de dona Vilma, que ocupa cerca de 1 hectare de área. Em meio ao momento de estiagem, a agricultora cultiva árvores frutíferas apropriadas ao bioma da Caatinga, com os pés de banana, graviola, limão, laranja, caju e manga, dentre outras.


Com o material que se perdia, surgiu a ideia de aproveitar a palha das bananeiras para produzir artesanato. Com capacitações e conhecimento, o material foi aperfeiçoado e hoje dona Vilma fornece o material em forma de embalagens para o comércio e indústria locais. Junto com o reaproveitamento dos restos de madeira, o esposo Tadeu Lino também produz arte e a família gera renda a partir da riqueza de sua própria terra.


Uma área de criação de animais também está reservada para quando as condições melhorarem: “Aqui a gente criava porco, cabras, ovelhas, mas não deu pra continuar criando por causa da seca. Mas pretendemos voltar a criar”, afirmou dona Vilma, esperançosa.


A produção de grãos também é garantida a partir do armazenamento de sementes nativas e herdadas da família: “Nunca precisei pegar as sementes que são distribuídas pelo governo. A gente sempre separa o milho, feijão guandu e muitas outras, mesmo que a colheita seja pequena.”



Após a circulada pela propriedade, o grupo se reuniu para um bate-papo em um abrigo coberto pelo telhadão da cisterna construída através da parceria da Adessu Baixa Verde e a organização alemã KNH, espaço que também serve para as reuniões comunitárias. Dona Vilma compartilhou um pouco de sua história na linha do tempo construída junto com a equipe da Adessu, lembrando o momento em que chegou à localidade, quando somente plantava e queimava cana-de-açúcar, quase tornando a terra infértil. Hoje, além das práticas agroecológicas, faz parte de sua rotina até a preocupação em não deixar o lixo da casa acumulado na propriedade.

O momento também serviu para compartilhar as incertezas das famílias quanto ao futuro incerto, de suspensão de programas voltados aos pequenos agricultores para aquisição de alimentos (PAA), alimentação escolar (PNAE), crédito (Pronaf) e habitação rural (PNHR). Uma das conclusões apresentadas foi a importância de manter a mobilização das comunidades e associações comunitárias, para que se retome a confiança e a representação nos espaços políticos.


Curso gratuito de agroecologia com inscrições abertas


por Romário Henrique

O Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA abriu inscrições para o Curso Técnico de Nível Médio em Agroecologia – Eixo Recursos Naturais nas Unidades de Ensino Glória do Goitá e Ibimirim. A oferta é de quatrocentas vagas para quem tem interesse em aprimorar habilidades no universo da agricultura familiar. O curso é gratuito e tem duração de dezoito meses.

As inscrições seguem até o dia 6 de dezembro, e devem ser realizadas através do site da instituição: www.serta.org.br. Podem participar estudantes com Ensino Médio completo, e que possuam disponibilidade e interesse em desenvolver e aprimorar atividades profissionais ligadas à agricultura, pecuária, ao meio ambiente, à agregação de valor e beneficiamento, comercialização, agricultura orgânica, agroecologia, dentre outras atividades.

O curso será desenvolvido em regime de alternância, com atividades presenciais e de tempo comunidade, totalizando 1.200 horas/aulas e mais 200 horas de estágio curricular supervisionado. Possui registro profissional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (CREA-PE) e é credenciado pelo Conselho Estadual de Educação de Pernambuco.

A formação técnica é atualmente financiada pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação.

Sobre o SERTA

Uma instituição com 27 anos dedicados a formação, com unidades de ensino nos municípios pernambucanos de Ibimirim, Sertão do Moxotó, e em Glória do Goitá, na Zona da Mata. Tem como Missão formar jovens, educadores e produtores familiares para atuar na transformação das suas circunstâncias e na promoção do desenvolvimento sustentável do campo.

Escola Transformadora

O Instituto Alana e a organização Ashoka reconheceram o SERTA, por meio da experiência exitosa da Escola Técnica, como parte da comunidade de escolas transformadoras no Brasil e no mundo. O Serta se soma a uma comunidade global de mais de 250 escolas em 28 países de todos os continentes. A iniciativa repensa os paradigmas da educação, e vem transformando realidades na saúde, cultura e educação para a sustentabilidade dos povos rurais.