terça-feira, 3 de outubro de 2017

“Planta semente, semente no chão, Guarda semente, alimenta a nação”

                                                                                        Por Kátia Rejane - Comunicadora do Caatinga
Com o sentimento de esperança e muita poesias, o II encontro estadual de sementes crioulas de Pernambuco, teve início na manhã da quarta-feira (21) seguindo até a quinta (22). Na mística de abertura agricultores/as das diversas regiões trouxeram sementes carregadas de saber popular, histórias, vivencias, cultura e vida que pulsa no semiárido pernambucano.

O debate foi provocado a partir de uma mesa, onde se questionava a importância das sementes crioulas para a convivência com o semiárido: Estratégias e Resistências. As falas trouxeram fortemente o quanto as sementes crioulas representam o conhecimento, o saber popular, a cultura dos povos do semiárido. Agricultores/as trouxeram em seus depoimentos o quanto valorizam suas sementes, por que nelas também está suas histórias.

O Programa sementes do semiárido é um dos Programas de formação e mobilização social da Articulação do Semiárido -ASA, para convivência com o semiárido. A ASA fortaleceu de forma direta 712 casas e bancos de sementes no semiárido, das quais no mínimo 20 famílias fazem parte, o que significa que no mínimo 14.240 famílias foram beneficiadas diretamente. Além de tantos outros bancos e casas de sementes espalhados semiárido a fora, que são fortalecidas pelo trabalho das organizações, que compõem a ASA, através da ATER (Assistência técnica em extensão rural).
Durante a execução do programa sementes do semiárido, as organizações levantaram informações sobre as sementes presentes nas comunidades, origem, formas de plantio, manejo, colheita e armazenamento, entre tantas informações, destacamos que mais de 50% das sementes estão nos quintais das famílias, e sob o cuidado das mulheres, o que mostra a preocupação que as mulheres ao longo dos anos vem tendo com as sementes, outra informação importante é que a maioria das sementes são provenientes de herança familiar, esse é um dos elementos que justifica o apreço pelas sementes, e o conhecimento de agricultores/as sobre diversas variedades.

Outro ponto bastante discutido é o fato das sementes serem forte campo de disputas, ” a partir da revolução verde, os pacotes tecnológicos foram impostos as famílias agricultoras, invadindo a agricultura familiar, na tentativa de negar a cultura dos povos camponesas, essa revolução influencia e tenta invadir a agricultura familiar camponesa até os dias de hoje” diz João Alexandre da coordenação executiva da ASA, pelo estado de Sergipe. São programas como sementes do semiárido, e tantos outros que a ASA acredita que contribuem na construção de conhecimento coletivo e nas resistências dos povos do semiárido.
Durante todo o dia aconteceram trocas de sementes e conhecimentos


II Encontro Estadual de Sementes: Partilhando sementes e conhecimentos

                                                                 Por Jéssica Freitas/ Comunicadora da Adessu
O II Encontro Estadual de Sementes, realizado em Triunfo, sertão do Pajeú foi palco de acolhimento, religiosidade, música, dança e poesia e expressões culturais, relembrando que o povo do Semiárido tem muita riqueza para partilhar.


No segundo dia de encontro, a mística de abertura trouxe elementos sobre as diversas potencialidades da mulher para o trabalho. Essas potencialidades são sim reconhecidas por muitos e isso se fez evidente ao longo da mística, quando homens e mulheres escolheram instrumentos diferentes de trabalho e falaram sobre suas experiências com cada um deles, sem distinção de gênero. 

A mística deu abertura para o lançamento da campanha: Pela divisão justa do trabalho doméstico, desenvolvida pela ‘Casa da Mulher do Nordeste’ e organizações parceiras. O tema da campanha trouxe e trás uma reflexão sobre a necessidade de um debate mais intenso sobre a cooperação mútua nas atividades diárias e divisão de responsabilidades. Homens e mulheres de todos os territórios abriram um caloroso debate e trouxeram relatos sobre suas próprias vivências. Relatos de famílias que ainda estão marcados por comportamentos machistas e com raízes do patriarcalismo, mas também relatos de homens que se reconhecem num papel mais igualitário junto às mulheres.
Após o debate, realizou-se uma avaliação geral sobre o encontro, apontando aspectos como: metodologia e infraestrutura, além de indicações de sugestões para a qualificação dos próximos encontros. Essa avaliação aconteceu entre grupos divididos de acordo com os respectivos territórios, Araripe, Sertão e Agreste.

Após as apresentações, o coordenador executivo da ASA, Alexandre Pires, fez a leitura do documento gerado a partir das discussões levantadas com o objetivo de reinterar o compromisso com a promoção da agrobiodiversidade: “Carta de Pernambuco: partilhando sementes e conhecimentos”.

E o encontro foi encerrado com uma grande ciranda, muito representativa quando se fala na pluralidade e na unidade de sentimentos do povo pernambucano.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA É TEMA DE INTERCÂMBIO DE SABERES NO PAJEÚ DE PERNAMBUCO


No dia 29 de setembro de 2017 os jovens dos grupos “Conquista Jovem e do Núcleo de Comunicação”, da ADESSU Baixa Verde, acompanhados da equipe técnica e parceiros, participaram de um intercâmbio na Escola Municipal Baraúnas que se localiza na zona rural da cidade de São José do Egito-PE.

Com o objetivo de conhecer e trocar experiências com a escola Baraúnas, os grupos de jovens e equipe assistiram várias apresentações dos trabalhos que são realizados na escola. Os visitantes também fizeram uma apresentação mostrando como é desenvolvido todo o trabalho voltado para o direito das crianças, adolescentes e jovens nos municípios de Triunfo e Santa Cruz d Baixa Verde.

A escola Baraúnas funciona em dois turnos, desde a educação infantil até o ensino fundamental, todos os alunos são oriundos de 13 comunidades rurais. Os trabalhos com crianças, adolescentes e jovens são de forma dinâmica, voltados para a educação contextualizada, além da vivência de projetos como: COOPE JOVEM e Guardiões da Mata de Caatinga.

O estudante Edimar Alves falou a diferença da sua escola para as demais “A educação contextualizada trabalha não só aulas teóricas, mas também práticas, onde a gente aprende não só no espaço escolar, mas também em outros locais” comentou.

A rede de ensino conta com algumas parcerias para fortalecer as ações existentes na escola como: DIACONIA, Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, Grupo Fé e Política e Funcultura. Através desses apoios, os alunos desenvolvem projetos de dança, teatro, poesia, grafite, libras e produção de cordeis e oficinas de Xilogravuras que chegam a ser utilizadas como logomarcas em campanhas educativas de outras cidades. 






TEXTO: Aiane Lopes e Rafaela Vieira 
FOTO: Ana Albuquerque 
(jovens do Núcleo de Comunicação - ADESSU Baixa Verde)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Agricultoras e agricultores vivenciam a experiência da troca de saberes para comemorar o dia da árvore

Jéssica Freitas, comunicadora popular - ADESSU Baixa Verde


O dia da árvore é comemorado em todo Brasil no dia 21 de setembro, essa data é dedicada a tomada de iniciativas sobre o uso consciente dos recursos naturais e o incentivo as práticas agroecológicas. No território do Pajeú pernambucano, agricultoras e agricultores que integram associações, cooperativas e a feira agroecológica participaram de um intercâmbio de experiências nesse domingo (24), para firmar seu compromisso com a preservação do meio ambiente.

Promovida pelas agricultoras e agricultores da Feira Agroecológica de Serra Talhada – FAST, em parceria com a ADESSU Baixa Verde, COOPCAFA, CECOR e Centro Sabiá, o intercâmbio  aconteceu na comunidade Carro Quebrado, município de Triunfo. Os agricultores Maria do Carmo e José Milton receberam visitantes vindos das organizações e das comunidades rurais de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde e Serra Talhada, para uma conversa e uma caminhada pela sua área de produção.

O quintal produtivo da família é um exemplo a ser seguido quando se fala em diversidade. São muitas culturas cultivadas, entre fruteiras, hortaliças, nativas, ornamentais e medicinais. Além do sistema produtivo, também foi visitada a unidade de beneficiamento de polpas de frutas da comunidade, mantida por uma cooperativa dos moradores e que tem gerado renda para agricultoras e agricultores através do beneficiamento de frutas da região, como o umbu e a goiaba.

A agricultora e coordenadora da Feira Agroecológica de Serra Talhada - FAST, Silvoluzia Mendes fez a sua avaliação sobre a atividade. “Foi um dia muito produtivo, as famílias levaram seus filhos para comemorar esse dia. Tivemos atividades com as crianças e com os adultos e conhecemos também a Unidade de beneficiamento e eu achei as mulheres muito bem desenvolvidas e guerreiras. Todo mundo gostou e foi nossa atividade avaliada como muito positiva”.


Durante a visita, as crianças presentes participaram de atividades recreativas e também formativas sobre a temática da preservação ambiental. A educadora de campo da ADESSU, Kátia Viana, demonstrou através de uma formação lúdica, os benefícios que as árvores nos proporcionam e refletiu sobre a necessidade de conscientizar as cidadãs e cidadãos desde a infância. 







sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Projeto Semana EDD nas escolas difunde conhecimento sobre os direitos das crianças, adolescentes e jovens no sertão do Pajeú


Encerramento do projeto na escola Milton Pessoa (14/09)
A ADESSU Baixa Verde defende os direitos das crianças e dos adolescentes! Esse slogan é a uma das marcas registradas da instituição, que mantém ativa uma política de proteção infantil e tem uma luta intensiva por políticas públicas para a juventude, sobretudo a juventude camponesa. E para firmar essa luta, a Associação conta com o apoio de organizações parceiras.

Em 2016 foi realizado o projeto Semana EDD nas escolas, com o objetivo de levar as unidades escolares e o alunado, conhecimento sobre o Enfoque de Direitos da criança e do adolescente – EDD. Foram contempladas escolas dos municípios de Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde. Diante dos resultados do ano anterior, em 2017 o projeto foi retomado, contemplando as escolas Artur Viana e Francisca Flor (SCBV) e Fortaleza, CET e Milton Pessoa (Triunfo), que trabalharam as temáticas do trabalho infantil e da violência doméstica.

Após uma semana vivenciando o projeto por meio do estudo das temáticas com metodologias lúdicas, cada escola teve um cronograma para promover o dia do encerramento. Na culminância, alunas e alunos realizaram apresentações demonstrando o que haviam aprendido.

A escola municipal Milton Pessoa, em Triunfo, executou o projeto com o lema: “Prevenção, um caminho possível ao enfrentamento da violência doméstica e do trabalho infantil” e fechou com chave de ouro a segunda edição. O educador Jeferson Pereira falou das contribuições de projetos como esse para as escolas.  “Muitos alunos não tinham conhecimento dos seus direitos e também dos seus deveres, através desse projeto pudemos repassar essas informações, construir um pensamento em relação à violação de direitos das crianças e dos adolescentes e discutir de que maneira podemos agir para garantir que esses direitos sejam preservados”, comentou.





Texto: Jéssica Freitas
Fotos: Felícia Panta


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

ADESSU Baixa Verde celebra 21 anos de luta e resistência


No dia 10 de setembro, o quadro de associadas e associados, familiares e a equipe técnica da Associação de Desenvolvimento Rural Sustentável da Serra da Baixa Verde (ADESSU Baixa Verde), em Triunfo, se reuniram para celebrar mais um aniversário da associação, já são 21 anos (completados em 08/09), de luta pela convivência com o Semiárido e a defesa de direitos de crianças, adolescentes e jovens. Além de um dia de comemoração, a data também teve um importância política para a instituição, foi realizada a eleição e posse da nova Diretoria para os próximos três anos, além da composição do novo Conselho Fiscal.


Durante o processo eleitoral constituído pelas agricultoras e agricultores associados, os familiares e funcionários participaram de oficina sobre manejo de mudas destinadas ao reflorestamento. Também foi montado espaço de recreação para as crianças presentes, com a coordenação das educadoras de campo. 


















Texto:Jéssica Freitas
Fotos: Jéssica Freitas e Elane Silva