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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Feira da agricultura familiar: símbolo de resistência do povo do semiárido

Jéssica Freitas, comunicadora popular ADESSU Baixa Verde




As feiras são um importante espaço de comercialização dos produtos da agricultura familiar. É lugar onde podem ser encontrados legumes, verduras e frutas, mas também produtos de artesanato e alimentos prontos, como arroz com galinha de capoeira. Além disso, é bonito de se ver a troca de experiências entre os feirantes e os consumidores, proporcionada pelas conversas olho no olho.
Em Triunfo, sertão do Pajeú pernambucano, agricultoras e agricultoras familiares, vindos de diversas comunidades rurais do município, oferecem todas as sextas-feiras produtos orgânicos, bolos, doces, comidas regionais, mudas de plantas e artesanato.
A agricultora Veronice Medeiros, da comunidade Fortaleza, leva para sua banca, macaxeira, inhame, jerimum, cenoura, coentro e carne de galinha de capoeira, tudo produzido na sua propriedade. “Infelizmente a gente ainda escuta muitas pessoas dizerem que a feira não tem futuro, mas nós resistimos. Não adianta uma fruta ser enorme e bonita se estiver cheia de veneno. Tudo isso eu colhi hoje mesmo na minha roça, uns alimentos saudáveis e bonitos como esses não tem preço.”, comentou a agricultora.
Embora 70% da alimentação que chega às mesas das pessoas, seja oriunda da agricultura familiar, ainda convivemos com o fato de que o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. As agricultoras e agricultores familiares estão na linha de frente desse confronto, resistindo no dia a dia.
CHEGA DE AGROTÓXICOS!
O Projeto de Lei 6299/02, que se refere ao pacote de mudanças na fiscalização e controle de agrotóxicos no Brasil, ganhou a primeira batalha na Câmara dos Deputados. Por 18 votos a 9, a comissão especial aprovou a proposta, encaminhando-a para votação no plenário da Câmara.
O projeto apresenta uma série de mudanças na atual Lei dos Agrotóxicos e vem gerando polêmica desde o início do ano. Ele alteraria, por exemplo, a nomenclatura “agrotóxico” para “pesticida”, excluiria os ministérios da Saúde e o do Meio Ambiente do processo de análise e registro dos produtos, centralizando as atribuições ao Ministério da Agricultura, liberaria licenças temporárias e também mudaria a análise atual dos agrotóxicos, proibindo apenas as substâncias que apresentem “risco inaceitável”. (Fonte:huffpostbrasil).



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Convivência com a escassez de água e o desafio de produzir alimentos unem agricultores da América Central e do Brasil

De 25 a 30 junho, agricultores, agricultoras e técnicos de El Salvador, Guatemala e Honduras visitarão o Semiárido brasileiro


Foto: FAO El Salvador

Brasília, 22 de junho de 2018 – A convivência da agricultura familiar em certas regiões do Brasil com escassez de água tem muitas semelhanças com a realidade vivida pela pequena agricultura em regiões da Guatemala, El Salvador e Honduras, conhecido como Corredor Seco.
Na próxima semana, de 25 a 30 de junho, agricultores e agricultoras e técnicos da destes três países da América Central visitam o Semiárido brasileiro, como parte da segunda etapa do intercâmbio promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Articulação com o Semiárido (ASA).
O objetivo é unir o Brasil a outros países da região e da África com dificuldades de acesso à água para promover a troca de experiências e de conhecimentos e renovar o ânimo e a resistência de quem se dedica à agricultura e enfrenta diariamente as dificuldades geradas pelo clima: secas prolongadas ou excesso de chuvas que deixam rastros de destruição.
A região do Corredor Seco inclui El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua e reúne mais de um milhão de famílias que vivem principalmente da agricultura.
Já no Brasil, cerca de 26 milhões de pessoas vivem no Semiárido, sendo que 38,03% estão na zona rural, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Conhecendo o Nordeste brasileiro
O grupo irá visitar a região semiárida dos estados da Paraíba e Pernambuco. A primeira parada, no dia 26, é na comunidade Sussuarana, no município de Juazeirinho, na região do Seridó paraibano. No dia seguinte (27), a delegação segue para a região da Borborema, no município de Esperança. Nos dias 28 e 29, a comitiva visita a região Agreste de Pernambuco. No município de Bom Jardim, a comunidade do Feijão, e no município de Cumaru, a comunidade de Pedra Branca. No dia 30, está prevista a ida dos centro-americanos na Feira Agroecológica das Graças, a mais antiga de Pernambuco, com 20 anos.
Ao longo da visita ao Brasil, eles conhecerão experiências de produção de alimentos, armazenamento de água e sementes, acesso a mercados, manejo integrado de água para produção, sistema agroflorestal, funcionamento de cisternas, entre outros.
Para o coordenador da Rede ASA pelo estado de Pernambuco, Alexandre Pires: “Nós precisamos compartilhar aquilo que aprendemos para que outros possam melhorar suas vidas, para que outras possam ter mais dignidade para viver em uma região seca, em uma região semiárida”.
Em abril deste ano, um grupo de agricultores e agricultoras brasileiros e representantes da Rede ASA foram visitaram a região do Corredor Seco para conhecer a realidade das pessoas que vivem nas áreas rurais da Guatemala e El Salvador. (vídeo do intercâmbio).
Com informações da Rede ASA.
Fonte:http://www.fao.org

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conheça a região sede do Encontro Nacional de Agricultores/as

por Mariana Landim (Chapada)



A região Agreste de Pernambuco foi escolhida para acolher e celebrar a criatividade dos agricultores e agricultoras do Semiárido que estão sempre criando alternativas para conviver com as chuvas irregulares. Pesqueira, um dos municípios polo da região, sediará II Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido, de 27 a 29 de abril. A menos de 15 dias para o evento, Pesqueira vem se preparando para receber agricultores/as familiares, técnicos de organizações ligadas à ASA, comunicadores populares, além de representantes do poder público das três esferas.


O Agreste pernambucano está inserido entre a Zona da Mata e o Sertão, e tem uma área de aproximadamente 24.400 km². Esse “pedaço” representa 24,7% da extensão territorial do estado, e conta com mais de um 1,5 milhões de habitantes, correspondendo a 25% da população do Estado.


Subdividido em seis microrregiões, o Agreste é cenário de uma economia diversificada, que se dá a partir do cultivo de lavouras como milho, feijão, mandioca, mas, sobretudo, a pecuária leiteira e de corte. Essa última atividade deu o título ao território de principal bacia leiteira do estado. Em relação aos índices pluviométricos da região, no Agreste, a média anual fica em torno de 800 a 1000 milímetros, mas não é diferente de outras regiões do Semiárido, já que tem chuvas irregulares e está sujeito a secas periódicas.


A cidade de Pesqueira, palco do evento, está situada a 215 quilômetros de Recife, sendo uma das principais cidades do Agreste. O município originou-se de uma fazenda, localizada ao pé da Serra do Ororubá. No topo da serra já existia a importante Vila de Cimbres, onde durante algum tempo funcionou a Comarca do Sertão. Hoje, com quase 100 anos, Pesqueira fica na microrregião do Vale do Ipojuca, tem uma área de 1.000 km², e tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,636. Esse indicador, que varia de 0 (pior) a 1 (melhor), está abaixo da média da região Nordeste, que é de 0,720.


A população de quase 63 mil habitantes está em uma vegetação composta pela caatinga, e se beneficiam das bacias hidrográficas dos rios Ipanema e Ipojuca. A economia de Pesqueira é movimentada pela pecuária leiteira (cerca de 60 mil litros/dia), pelo turismo, pela produção artesanal e industrial de renda renascença, além de pequenas fábricas de doces e licores caseiros.


A beleza e as particularidades do artesanato local, especialmente a renda renascença, é orgulho para os pesqueirenses e destaque em todo país e até no exterior. Atualmente, essa atividade é a principal fonte de renda de milhares de famílias que integram a cooperativa de rendeiras da cidade. A feirinha local escoa boa parte da produção. Em relação à agricultura, podemos apontar o plantio do feijão, milho, mamona, mandioca, tomate, fava e goiaba.


Também não podemos nos esquecer da riqueza cultural do lugar. Pesqueira tem santuários católicos e indígenas, além de reservas naturais com matas, trilhas e cachoeiras, onde podem ser feitos diversos passeios. Outro atrativo é a Serra do Orubá, ocupada por 24 aldeias de índios Xukurus com lagos, açudes, cachoeiras e uma rampa natural de vôo livre, utilizada em campeonatos anuais de asa delta.


Para realizar o evento, a ASA conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), Ministério o Desenvolvimento Agrário (MDA), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Agência de Cooperação Espanhola, Instituto Ambiental Brasil Sustentável, Fundação Avina e Heifer.