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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Serra Talhada recebe Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA

O evento é preparatório para o Encontro Nacional de Agroecologia, que será em Belo Horizonte



Cerca de 150 representantes de todas as regiões de Pernambuco se encontrarão em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, na próxima segunda-feira (16) para o Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA. Com o tema “Agroecologia e Democracia, unindo campo e cidade”, o evento é um dos processos preparatórios para o encontro nacional que acontecerá em Belo Horizonte/MG, de 31 de maio a 03 de junho deste ano, reunindo mais de 2.000 agricultores, agricultoras, estudiosos e interessados na temática.

A expectativa da organização do encontro, segundo Giovanne Xenofonte, coordenador do Caatinga e um dos organizadores, é que se consiga construir estratégias de resistência e fortalecer a atuação da Rede em Agroecologia. “Um dos instrumentos de nossa luta de resistência é nos encontrarmos. A realização de um encontro neste contexto é estratégico, e vai nos ajudar a entender melhor a situação e combinar nossa atuação, intervenção e resistência. Um encontro que trás representações de diversos territórios que constrói a Agroecologia no Estado, garantindo a proporcionalidade de mulheres e jovens, qualifica ainda mais o debate com outras perspectivas. Uma outra expectativa é que a gente consiga chegar no IV ENA com a clareza de como a Agroecologia está sendo construída nos territórios, que desafios tem enfrentado e como tem superado, e quais os problemas mais recentes que tem impedido que a Agroecologia avance.”, explica. 

Em Serra Talhada, serão dois dias de atividades que acontecerão na Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/UFRPE). Neste período, serão construídas as Instalações Pedagógicas de Pernambuco que irão compor as experiências territoriais no IV ENA e definir a delegação que irá representar o Estado em Belo Horizonte.

A programação começa na segunda (16), às 14h, com Rodas de Diálogos que irão discutir os temas geradores do IV ENA: Comunicação e democracia; Água: Acesso, Conservação e democracia; Juventudes; Mulheres: Sem feminismos não há agroecologia; Terra e Territórios; e Direito à Cidade. Em seguida, acontece um debate sobre os avanços e desafios em diálogo com a Agroecologia. Ainda no primeiro dia, o evento promete uma noite cultural aberto ao público, com apresentações de grupos, dança e uma feira com expressões Agroecológicas unindo o campo e a cidade. No segundo dia (17), os participantes irão construir instalações pedagógicas sobre o retrato de resistências e desafios de três regiões de Pernambuco, o Sertão do Araripe, Sertão do Pajeú e Zona da Mata Sul. Essa construção será apresentada em Belo Horizonte, durante o IV ENA.  À tarde, no encerrando do Encontro, será definida a delegação de Pernambuco que irá em maio representar o Estado, em Minas Gerais.

O Encontro reunirá representantes das lutas de mulheres, juventudes, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, pescadores/as artesanais, movimentos sociais e da academia, com presença marcante dos núcleos de agroecologia. O IV ENA é convocado por dezenas de organizações, redes e movimentos sociais de todo o Brasil, realizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).


SERVIÇO

Encontro Estadual de Agroecologia rumo ao IV ENA
Dias 16 e 17 de abril de 2018
No campus da Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST/ UFRPE).

CONTATOS IMPRENSA
Jéssica Freitas (ADESSU Baixa Verde) - (87) 99601.3281
Emanuela Castro (ONG Casa da Mulher do Nordeste) - (81) 98186.0484

quinta-feira, 16 de março de 2017

Programa Um Milhão de Cisternas gera renda para jovens de comunidades rurais

Por Jéssica Freitas, comunicadora popular da ADESSU Baixa Verde




O Programa Um Milhão de Cisternas - P1MC tem melhorado a vida de milhares de famílias no Semiárido Brasileiro, garantindo o acesso à água de qualidade. Mas uma iniciativa da equipe do programa, executado pela ADESSU Baixa Verde está indo além. O objetivo é dar possibilidades para que jovens de comunidades rurais de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo possam se capacitar e ter acesso à renda a partir da confecção de um dos componentes das cisternas de placas. Eles irão aprender a montar a estrutura das bombas manuais (peças feitas com canos de PVC que auxiliam as famílias na retirada da água das cisternas). 

Nessa quarta-feira (15), um grupo de jovens participou da primeira etapa de capacitação. A gerente financeira do programa, Andréa Santos, apresentou a proposta e passou informações sobre como se dará o processo. “A ADESSU sempre trabalhou com o jovem e sempre buscou alternativas para inserir esse público e criar formas de geração de renda. Pensando nisso, estamos com a proposta de inseri-los nos cursos de Gerenciamento de Recursos Hídricos - GRH como estagiários e também formar uma equipe de 10 jovens para a confecção das bombas”, explicou.

Sob a orientação da técnica de campo do programa, Lucimara Rodrigues, eles já começaram a conhecer as peças utilizadas e o processo de montagem. Através da oficina práticas, eles têm possibilidade de produzir as bombas, destinadas às 340 cisternas de placas que serão construídas nesse Termo Aditivo de Parceira.

A jovem Adricia Lopes, da comunidade São Bento, em Santa Cruz da Baixa Verde, é uma das integrantes do grupo. “Achei uma ótima oportunidade a confecção das bombas, pois além de ser uma geração de renda para nós, também ajudamos a Associação, que não precisará ir atrás de produtores fora. Eu sou cadastrada no projeto da KNH, me cadastrei com 12 anos, já venho participando das atividades na minha comunidade e já participei do projeto Jovem Líder e agora estou de volta nesse projeto”, relatou a jovem.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Técnicos e técnicas avaliam a Oficina sobre Convivência com o Semiárido

Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável de Pernambuco promove debate sobre a nova ruralidade brasileira

A ideia era discutir as questões que envolvem a temática a partir das diretrizes da Secretaria de Desenvolvimento Territorial 

Por Mariana Landim - Assessoria de Comunicação da ONG Chapada

Na última sexta-feira (29/05), na cidade do Recife, capital do estado, aconteceu a reunião ordinária do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável de Pernambuco (CDRS-PE). Além da presença dos/as conselheiros/as, o momento também contou com a participação do secretário de Desenvolvimento Territorial, Humberto Oliveira. 

A Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) é um órgão do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), e tem o objetivo de promover e apoiar as iniciativas da sociedade civil e dos poderes públicos, em prol do desenvolvimento das regiões em que predominam famílias agricultoras e beneficiárias da reforma e do reordenamento agrário. 

Durante a reunião, o secretário fez uma exposição sobre um projeto de pesquisa que está sendo desenvolvido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), que visa compreender a nova ruralidade e suas implicações para as políticas públicas de desenvolvimento rural sustentável no Brasil. Na ocasião, a plenária teve a oportunidade de conhecer e debater sobre as estratégias para o fortalecimento das políticas voltadas para o meio rural pernambucano. 

Também foram apresentados os eixos estratégicos da SDT nesta nova fase: gestão social nos territórios; articulação de políticas públicas para o desenvolvimento territorial; infraestrutura e serviços para inclusão socioprodutiva nos territórios e desenvolvimento de capacidades e competências nos territórios rurais.

Para o presidente do CDRS-PE, Edésio Medeiros, a reunião teve desdobramentos importantes. “Foi um momento ímpar, já que Pernambuco mais uma vez pôde contribuir na formulação, avaliação e fortalecimento de políticas públicas para o desenvolvimento rural sustentável e reforma agrária no país”, destaca. 

De acordo com Edésio, além da nova ruralidade brasileira, outros temas serão prioridades para o conselho este ano, especialmente assistência técnica (ATER), agroecologia, reforma agrária, crédito e políticas para mulheres e jovens. 

O CDRS-PE é instituído pelo decreto nº 23.346, de 18 de junho de 2001 e suas modificações em 2004/2007/2012. É um órgão colegiado, paritário, consultivo e deliberativo, constituído por representantes de instituições governamentais e da sociedade civil, vinculado à Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária do Estado (SARA) e a Secretaria Executiva da Agricultura Familiar (SEAF). O mandato é de dois anos, sendo alternado entre representantes do governo e sociedade civil, e atualmente a gestão é feita pela Articulação Semiárido Pernambucano (ASA-PE).

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Encontro discute Cisterna nas Escolas e formação dos professores e professoras


Por Eduardo Amorim e Sara Brito - Núcleo de Comunicação do Centro Sabiá


Crianças da Escola José Faustino, em Caruaru - PE
Nesta sexta-feira, em Triunfo, tem início um encontro que vai reunir cerca de 30 representantes das cinco instituições (NEPS, CEEDAP, Agroflor, Caatinga e Sabiá) que desenvolvem o projeto Cisterna nas Escolas em Pernambuco, para que de forma coletiva e por meio da troca dos saberes, se possa criar os módulos  para a formação dos\as educadores\as em educação contextualizada no Semiárido.


Através deste projeto serão construídas 5.000 cisternas escolares de 52 mil litros nos nove estados da região Nordeste, com a finalidade de armazenar água da chuva que será utilizada para consumo humano e preparação de alimentos. O Cisterna nas Escolas é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), realizado em parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e deve permitir o abastecimento de água própria para consumo em mais de 50% das escolas públicas sem ligação à rede de abastecimento da área rural da região. Em Pernambuco, cada uma das cinco instituições parceiras ficará responsável por 83 escolas, totalizando 415.


Em um contexto de seca tão forte, o Cisterna nas Escolas traz a oportunidade para balançarmos a educação do campo no Estado. A atividade terá como foco a elaboração da formação dos\as professores\as em educação contextualizada no Semiárido, no âmbito do projeto Cisterna nas Escolas.


Coordenadora técnico pedagógica do Centro Sabiá, Maria Cristina Aureliano, explica que nesse projeto, além da construção das cisternas e da participação das comunidades, tem também um importante processo de formação dos professores e professoras das escolas rurais para estarem trabalhando a questão educação contextualizada no Semiárido, ou seja trazerem a situação da caatinga, da água e levar essa temática do campo social e ambiental para dentro das escolas.



"A ideia é construir uma proposta de conteúdo e metodólógica", explica a coordenadora pedagógica do Centro Sabiá, na expectativa de afinar um entendimento coletivo, que vá durar todo o período de realização do Cisterna nas Escolas e ultrapasse os limites das organizações, para incidir nas escolas, mas também nas gestões públicas e na vida das pessoas que serão beneficiadas pela implantação dos equipamentos.



Foto: Alex Carvalho

sexta-feira, 27 de março de 2015

Encontro de Formação debate produção ‪agroecológica‬ e consumo de água no Sertão do Pajeú

Por Carlos Henrique Silva - setor de Comunicação da Diaconia

A reunião foi realizada no Sindicato dos Trabalhadores e
Trabalhadoras Rurais de São José do Egito
Na última sexta-feira (20), um encontro de formação reuniu ‪agricultores‬ e ‪agricultoras‬ familiares apoiados pelo programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) no município de São José do Egito, ‪Sertão do ‪Pajeú. A reunião, facilitada pelos animadores Cícero Cristiano e Fátima Sabino, trabalhou a produção ‪agroecológica e a situação da ‪água‬ na região, o manejo do ‪solo‬, ciclo de ‪chuvas‬, ‪queimadas‬, ‪erosão‬, ‎adubação‬ ‪orgânica‬ e outros temas relacionados.

A cartilha 'A Roça no Sertão', produzida pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), foi um dos recursos utilizados na metodologia, além de slides e vídeos educativos.

Debates e troca de conhecimentos também marcaram o evento, que incluiu a apresentação em slides relacionada à Semana da Água, destacando as formas corretas e equivocadas de manejo dos recursos hídricos.

A programação finalizou à tarde, com uma atividade voltada para as tecnologias recebidas pelos beneficiários. O trabalho foi desenvolvido em grupos, pontuando os principais benefícios, as transformações positivas e os principais problemas encontrados em todo processo de construção das tecnologias.

"Os relatos das agricultoras e agricultores foram muito interessantes, principalmente dos caráteres produtivos. A maioria dos beneficiários afirmou que seus animais já reproduziram e que, com o caráter produtivo, agora estão desenvolvendo atividades de criação que não desenvolviam."
(Cícero Cristiano, animador de campo)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um ano de conquistas e desafios da Secretaria Executiva de Agricultura Familiar de Pernambuco

Fortalecimento da agricultura familiar no estado é um dos principais avanços após a criação da secretaria

No mês de janeiro fez um ano que a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar (SEAF) foi criada. A comunicadora da Articulação no Semi-Árido Pernambucano (ASA-PE), Mariana Landim, conversou com o secretário Aldo Santos, sobre as conquistas obtidas durante um ano de gestão, assim como os desafios que estão colocados no âmbito da agricultura familiar em Pernambuco. Confira a entrevista abaixo.

ASA Pernambuco – A Secretaria Executiva de Agricultura Familiar completou um ano, portanto uma nova estrutura inserida no quadro governamental. Como você avalia os primeiros 12 meses, e quais os avanços da SEAF que já podem ser apontados durante esse período?

Aldo Santos – Primeiro é importante dizer que a SEAF [Secretaria Executiva de Agricultura Familiar] foi uma conquista dos movimentos sociais, de vários movimentos do campo da agricultura familiar, da ASA [Articulação no Semi-Árido Brasileiro], das ONGs [Organizações Não-Governamentais], da igreja, e também foi fundamental a sensibilidade do governador Eduardo Campos de perceber a importância que tem a agricultura familiar no estado. Nos primeiros 12 meses, como qualquer estrutura nova, a secretaria precisou ser organizada e instrumentalizada, na perspectiva de identificar dentro do próprio governo as políticas de agricultura familiar. Então fizemos um mapeamento dentro da ação da educação, da saúde, ciência e tecnologia, etc.

Dessa forma hoje posso dizer que temos a condição efetiva de perceber que a agricultura familiar está segmentada dentro da ação do governo pela importância que ela tem, pela sua multifuncionalidade. A mesma necessidade que a secretaria tem de pensar a questão do crédito, da água, e da segurança alimentar, ela se dá na mesma proporção quando se pensa na mobilidade, ou seja, a questão das estradas, na eletrificação rural, na saúde, na educação, sempre pensando que a gente constrói um processo no campo, a partir da melhoria da qualidade de vida das pessoas. No ano que se passou, a gente fez esse debate com o governo federal e também nos articulamos com os quilombolas, com os indígenas, com os camponeses, com os agricultores familiares, com os assentados, enfim, com o conjunto dos movimentos sociais que tratam da agricultura familiar, na tentativa de construir isso junto, digo isso porque uma coisa é criar a secretaria, outra coisa é dá sentido a ela.

A conjunção desses diversos atores sociais, o que possibilitou essa mão dupla entre o estado e a sociedade civil, foi algo que contribuiu com a estruturação de todo o processo, na perspectiva de construir um instrumento de política pública para o segmento da agricultura familiar no estado de Pernambuco.

ASA Pernambuco – A Secretaria Executiva de Agricultura Familiar foi criada na perspectiva de fortalecer a agricultura familiar do estado, então quais as dificuldades e os desafios encontrados nesse processo?
Aldo Santos – A ação do governo ainda padece de um processo de fragmentação da ação das políticas, pois elas ainda são pulverizadas e muitas vezes, descontextualizadas. Nesse sentido, o nosso grande desafio foi está dentro do governo mostrando a importância de um segmento de atores sociais do campo, do mundo rural, que é a agricultura familiar. Acreditamos que ela tem que ser vista não só como um segmento de benefício social ou de políticas sociais, mas também de um segmento que tem um papel na questão ambiental, na cultura e especialmente no debate da economia, da geração de renda, da sustentabilidade do meio rural. Então fazer essa discussão internamente em relação às políticas de governo foi um desafio, mas que ainda não acabou, embora a gente perceba que no governo não existia um referencial pra esse debate, e hoje, o referencial é a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar.

Quando se fala de agricultura familiar dentro do governo, sabe-se qual a dimensão da agricultura familiar do estado, o que ela representa, o que ela produz, como ela está articulada, enfim, esse referencial já foi criado. Antes da criação da SEAF, vários segmentos da agricultura familiar não tinham encontrado um espaço no governo para dialogar sobre as políticas, ou seja, isso já foi superado. O papel que o ProRural teve e tem no desenvolvimento do meio rural, especialmente na estruturação dos conselhos municipais, contribuiu com a formação de um processo interessante no estado, mas não existia referencial para pensar a política, então a secretaria deu esse norte. O governador Eduardo Campos tem colocado que o nosso papel de governo é construir as políticas da agricultura familiar, uma política não de governo, mas de estado.

ASA Pernambuco - O PAA e o PNAE têm enfrentado problemas na sua execução. Muitos agricultores têm perdido boas chances e algumas prefeituras têm sido resistentes a implantação do programa. A SEAF tem proposto um diálogo na tentativa de solucionar esse impasse? Qual o movimento que a secretaria vem fazendo no sentido de ampliar e fortalecer a dinâmica de comercialização dos produtos da agricultura familiar no estado?

Aldo Santos – O PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] teve um papel fundamental na questão da compra direta, isso potencializou a dinâmica de comercialização no local, então o Programa fez esse processo. A mobilização nacional gerou um debate sobre a melhoria da qualidade da alimentação escolar, do que era necessário para viabilizar isso. Quatro anos depois é criado o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar]. Em Pernambuco, a partir de 2010, as escolas, os municípios deveriam garantir no processo da merenda escolar, o percentual mínimo de 30% de produtos da agricultura familiar. Mesmo assim a gente sabe que existem muitas dificuldades, pois temos vários casos que ilustram que as prefeituras não sabem comprar e os agricultores não sabem vender. Partindo disso, acreditamos que o desafio consiste em estruturar bem a logística, o processo de beneficiamento, de modo que os produtos da agricultura familiar cheguem com qualidade, de maneira regular e sistemática.

Diante disso, foi visto que a agricultura familiar não estava organizada, embora não foram dadas as condições efetivas para que ela se estruturasse e estivesse preparada para um processo de gestão, então falar disso é falar de um processo muito recente. Aqui no estado nós percebemos que não era viável a ideia de fazer grandes chamadas, já que as organizações não tinham capacidade de participar do processo pelo volume a ser entregue. Nesse sentido, uma das primeiras discussões que a SEAF propôs, foi com a Secretaria de Educação, na perspectiva de pensar a regionalização da merenda escolar no estado. No ano passado nós lançamos o primeiro lote em quatro regionais, onde participaram as cooperativas de agricultura familiar, as associações, etc. Mas, para que isso acontecesse, nós animamos esse debate sobre o PNAE junto aos movimentos sociais, no CDS [Conselho de Desenvolvimento Sustentável], no CONSEA [Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional], enfim. Fruto desse processo, nós realizamos um seminário em Serra Talhada, que reuniu cerca de 60 representantes dessas entidades. Uma iniciativa que garantiu essa participação nas regionais.

Em relação ao PAA, atualmente nós estamos discutindo como fracionar ainda mais os lotes para favorecer uma associação ou cooperativa. A ideia é que elas possam entregar seus produtos no próprio município ou no entorno dele. A outra questão levantada é a criação de chamadas específicas para comunidades prioritárias como é o caso dos povos indígenas e quilombolas, por exemplo. Mesmo com as dificuldades encontradas, nós já temos algumas referências no estado, como o município de Brejo da Madre de Deus, por exemplo, que consegue comprar quase 80% dos produtos da agricultura familiar, uma prova de que esse processo é possível, desde que se construa um cardápio viável. Ainda em relação ao PAA, já existe uma determinação do governador Eduardo Campos para avançarmos no Programa gerenciado pelo estado, e chegarmos ao quantitativo de 10 mil agricultores/as participando do processo até 2014. Para isso, nós já estamos negociando com o MDS [Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome] uma proposta nova para Pernambuco. E no caso do PNAE, a ideia é continuar esse processo de articulação e mobilização junto às prefeituras e secretarias de educação.

ASA Pernambuco - Quais as projeções da Secretaria Executiva de Agricultura Familiar para o ano de 2012 e em médio prazo?

Aldo Santos – Esse primeiro ano foi voltado também para estruturação e elaboração de projetos, além de novas captações de recursos. Nesse sentido, nós conseguimos discutir a projeção de alguns convênios e de algumas dinâmicas articuladas dentro de um programa que estamos chamando de Pernambuco mais Produtivo. Um programa que dá a dimensão da segurança alimentar, e da estocagem de água e alimentos para as famílias agricultoras e os animais. Trata-se de um projeto que pretende ampliar às atividades da caprinovinocultura e apicultura no campo da agricultura familiar. Já está sendo discutida com os parceiros, a questão da água para a produção, para os quintais produtivos, a partir da cisterna calçadão e outras tecnologias de captação e armazenamento de água. Estaremos executando esse programa em parceria com a ASA-PE, através das suas organizações, envolvendo também os conselhos municipais nesse processo.

Para ilustrar essa questão de números, logo esse ano nós vamos iniciar o processo de implementação de 15.500 cisternas calçadão, que beneficiará mais de 50 mil pessoas no Semiárido pernambucano, atendendo cerca de 90 municípios no estado. Nesse sentido, o projeto deve garantir a segurança alimentar das famílias, assim como fortalecer a dinâmica da autonomia, da cidadania das mulheres que estão no Semiárido, na medida em que elas saem daquele processo de carregar água na cabeça e produzem alimentos na perspectiva da geração de renda. Ainda na linha da projeção, outro debate que a gente está fazendo, é sobre a constituição de uma política estadual de desenvolvimento rural sustentável. No ano passado, nós já começamos a discutir isso na assembléia legislativa e com os movimentos sociais. Ao longo de 2012, a gente deve apresentar uma política estruturadora de desenvolvimento rural sustentável de Pernambuco. A idéia é ter capítulos do debate da assistência técnica, da agricultura familiar, da convivência com o Semiárido, da agroecologia, integrando as políticas, e garantindo uma lei que dê um arcabouço jurídico.

ASA Pernambuco - Recentemente você esteve na região do Araripe, numa comunidade rural, para a festa de inauguração de tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva, fruto de uma parceria firmada entre a ASA, o governo federal e o ProRural. Dessa forma, o que representa a conquista de tecnologias que potencializam a agricultura familiar pelas famílias agricultoras?              

Aldo Santos – Sabemos que o Semiárido brasileiro é o mais populoso do mundo. Partindo disso, existe uma estratégia importante de convivência com essa região, que nos mostra que o Semiárido é viável. E o Semiárido pernambucano tem uma necessidade hídrica muito grande, pois nós temos muitas famílias difusas, dispersas em comunidades rurais, povoados e vilarejos, aonde a água não chega. Nesse sentido, a cisterna que garante a primeira água, a água de beber, representa a condição básica para as pessoas conquistarem a autonomia e a cidadania. Isso significa diminuir a dependência política eleitoreira, já que ainda existem políticos que usam a água como moeda de troca, ou seja, como favor e não como direito.

A cisterna de 16 mil litros começa a mudar essa realidade. Ainda existe outro elemento fundamental que vai dando a condição para a família beneficiada começar a pensar no processo produtivo, e despertar para conquistas de outras tecnologias que potencializem a produção de alimentos. Isso gera um ciclo que garante a segurança hídrica na propriedade da família que está inserida nesse processo. Esse movimento tem feito a gente pensar o desenvolvimento rural sustentável, na perspectiva de que todos devem ter seus direitos fundamentais garantidos, sobretudo o acesso à água de qualidade. Nesse sentido, o povo do Araripe tem colocado um papel fundamental no processo de mobilização, e a gente acredita que essa inauguração das 80 cisternas, trouxe o papel do conselho municipal, que é uma estratégia de desenvolvimento que o ProRural construiu ao longo desses anos.

Podemos falar também do papel que tem tido o governador Eduardo Campos de acreditar que a interiorização do desenvolvimento só é possível com uma agricultura familiar forte e dinâmica. Isso garante que os/as agricultores/as familiares tenham autoestima suficiente para gerar melhores condições de vida para as futuras gerações, já que a região semiárida é um lugar para viver com dignidade.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ASA manifesta-se contra as cisternas de plástico


Articulação também divulga documento contra a criminalização das ONGs
A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) lançou nesta terça-feira (8), durante a 4º Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que ocorre em Salvador (BA), um documento alertando sobre o uso das cisternas de plástico. Esses reservatórios começam a fazer parte da política governamental para levar água às famílias do Semiárido, a partir do Programa Água para Todos, no contexto do Plano Brasil Sem Miséria.

No documento a ASA elogia a decisão de universalizar o acesso à água no Semiárido, mas lamenta a utilização das cisternas de plástico como alternativa para alcançar esse objetivo. “As cisternas de plástico/PVC excluem a população local, não permitindo a sua participação no processo de reaplicação da técnica, criando dependência das empresas”, diz um trecho do manifesto.

A ASA já construiu 360 mil cisternas, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). Isso tem gerado autonomia para mais de 1.700.000 pessoas sobre a gestão da sua própria água. Também foram construídas quase 12 mil tecnologias de captação de água para produção de alimentos, entre taque de pedra, cisterna-calçadão, barragem subterrânea e bomba d’água popular.

O impacto da ação da ASA está descrito em outro documento, que também está sendo distribuído na conferência. Nesse mesmo texto, a Articulação se coloca contra a campanha de criminalização das organizações não-governamentais (ONGs). “A ASA, e as centenas de organizações que a ela se referem, se recusam a serem comparadas e confundidas, por quem quer que seja, com organizações que desviam recursos públicos”, ressalta o manifesto.

Documento 1 - Cisternas de plástico/PVC - Somos Contra

Documento 2 - ASA - Semeando Cidadania no Semiárido